sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

"Se não houver tristeza, o samba não fica bonito"

Essa palavras são do Sr. Casemiro da Cuíca, no filme o mistério do Samba(2008), em uma cena linda onde ela sozinho canta o samba Tentação de sua própria autoria e tocando apenas a sua cuíca. Coisa linda!

Para mim, o samba é como se fosse uma bela árvore de doces frutos, onde as raízes desta árvore são os seus diferentes estilos de samba.

Dentre estas raízes, temos o samba enredo, o samba canção, o samba de terreiro, o samba de lamentação e etc.

E de todas estas “raízes”, particularmente as que mais me agradam são os sambas de terreiro e os sambas de lamentação.

E quando falo em samba de lamentação, me vem à cabeça nomes como Cartola, Nelson Cavaquinho e outros tantos mais. Porém, não consigo pensar neste estilo de samba e sem lembrar de JORGINHO PESSANHA.

Jorge Gomes Pessanha nasceu em 1931 e faleceu em 1981.

Filho de um dos fundadores da Escola de Samba Unidos da Capela no subúrbio de Parada de Lucas, no Rio de Janeiro. Já frenquentava as rodas de samba da escola aos 7 anos de idade.

Por volta de 1965 passou a integrar a ala de compositores do império Serrano, aonde anos mais tarde, chegou a ser o Diretor social do Império Serrano.

Em 1966, como integrante da Ala de Compositores do Império Serrano, classificou em 2º lugar um samba-enredo de sua autoria no concurso da escola. Neste mesmo ano, ao lado dos ritmistas Elizeu, Silvinho da Portela, fez parte da Delegação Brasileira que se apresentou no "Primeiro Festival de Arte Negra", em Dakar, no Senegal, em 1966.

A lista de parceiros de Jorginho Pessanha e repleta de sambistas da mais alta estirpe. Entre eles estão Walter Rosa (Portela), Mano Décio da Viola (império) e Oswaldo Vitalino de Oliveira, o Padeirinho (Mangueira), o que ressalta a sua importância nas rodas de samba dos morros e escolas cariocas.

Jorginho Pessanha se auto-denomivava o autêntico Jorginho do Império. Isso se devia ao fato de ele ter entendido que o outro Jorginho, o Jorge Antônio Carlos, filho do Mano Décio da Viola, havia se apropriado da alcunha de Jorginho do Império indevidamente.

Jorginho Pessanha morreu em 1981 praticamente no anonimato. Lançou somente dois discos, os dois na década de 70:

[1] Tô Muito na Minha - pela Continental
[2] Autêntico - Jorginho (Império) Pessanha - pela Infobrás

Entre seus sambas mais conhecidos, estão;

Favela; Que samba é esse;
Não chore amor; Mana cadê meu boi;
Eu não sou o que ela pensou; Tempo de paz;
Hora de chorar; Dia de Tristeza;

Estes dois últimos são dos que eu mais gosto, e mostram bem o que eu querer dizer quando falo em Samba de Lamentação e quando falo sobre a frase do Seu Casemiro no começo deste post.

Como não tenho vídeos do Jorginho, vou postar os áudios e suas respectivas letras.

Mas, para quem quiser ouvir mais, aqui vai um link para baixar os dois discos lá do blog prato e faca

Link1 – Tô Muito na Minha (1971)
Link2 – O Autêntico (1973)
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Hora de chorar (Mano Décio da Viola - Jorginho Pessanha)



Com licença, está na minha hora de chorar
Paciência, tenho que desabafar
Só quem perdeu seu grande amor
Sabe dar valor ao pranto meu
Quero ver chorar quem não sofreu,
Quero ver chorar quem não sofreu.

Deixa meu pranto rolar
Hoje eu quero sofrer
A recordação de um grande amor
Faço do pranto a dor da minha dor
Ôooo
Esse pranto faz parte do meu desamor
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Dia de tristeza (Norival Reis - Jorge Duarte) – Interpretado pro Jorginho



Hoje é dia de tristeza
Hoje é dia pra chorar
Hoje é dia que a saudade vem
Vem para me machucar

Tenho os olhos rasos d’água
Esta mágoa, eu já sei por quê
É que saudade já chegou
Chegou pela mão trouxe você
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Salve o Samba, Salve Jorginho Pessanha.

Até a próxima.

Fontes:
http://www.dicionariompb.com.br/jorginho-pessanha
http://memoriadampb.multiply.com/photos/album/367

3 comentários:

  1. O disco "Autentico" do Jorginho me impressiona muito. É um disco lindo, samba pé no chão mesmo, tamborim, agôgô, cuíca, batucada malandra. Na harmonia se ouve um cavaco com afinação de bandolim (tenho minhas dúvidas se é o Carlinhos), e bem no fundo um violão sete cordas. Não sei se foi proposital, mas o som da batucada se destaca. Diferente de muitos discos em que se dá mais destaque para as cordas. Um disco "autentico" como este não se tem mais na praça.

    Abraço

    Chico

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  2. Salve Chico,

    Também acho sensacional o a batucada do disco e ainda acho que a voz e a interpretação dadaz pelo Jorginho é unica....

    Infelizmente esse é um disco bem raro...em termos fisicos....ja andei procurando, pois adoro ver a ficha tecnica e estas coisas...porém ainda nao consegui nada...

    Estou pesquisando sobre a ficha técnica...assim que decobrir algo...dou um alô...

    Obrigado por acompanhar o blog.

    Salve o Samba.

    Diogo Elias

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  3. Ih, esse Tô na Minha tá bem difícil de achar...

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